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Termômetro de risco de recessão

Três leituras do ciclo brasileiro — o que a economia é hoje, para onde está indo e o que pode derrubá-la à frente — a partir de nove indicadores agrupados em blocos. O cálculo é inteiramente determinístico: cada indicador é julgado por uma regra conhecida da literatura de ciclos, publicada abaixo, sobre séries oficiais do IBGE, do Banco Central e do boletim Focus.

Termômetro de recessão

favoráveladverso
Adverso

A economia ainda não está em recessão, mas perdeu ritmo: a direção é de piora, puxada por transmissão do aperto; as condições à frente são adversas (condições monetárias e condições fiscais).

Como calculamos →
  1. A recessão já chegou?

    AtençãoEstado atual

    A economia perdeu ritmo, mas os dados correntes ainda não caracterizam recessão.

  2. Para onde a economia está indo?

    AdversoMomentum

    A direção é de piora, puxada por transmissão do aperto.

  3. O que pode derrubá-la à frente?

    AdversoPressão antecedente

    As condições à frente são adversas (condições monetárias e condições fiscais).

    • Condições monetárias

      Juro real de 9,7% a.a. é contracionista para toda a faixa de r* considerada (4%–6%) — a conclusão não depende da hipótese de neutro.

    • Condições fiscais

      Com déficit primário de 1,19% do PIB e dívida bruta em 81,9% do PIB (+5,6 p.p. em 12 meses), a trajetória fiscal pressiona prêmio de risco e juros longos.

    • Setor externo

      Com commodities em reais subindo 2,3% em 12 meses e conta corrente em -2,46% do PIB (+1,06 p.p. em 12 meses), o setor externo não adiciona pressão ao ciclo.

Leitura determinística de regras publicadas, sobre séries oficiais do IBGE, do Banco Central e do Focus. Não é probabilidade de recessão, previsão nem recomendação de investimento.

Por que três leituras, e não uma nota

Uma economia com PIB crescendo, desemprego baixo, juro real de 10% e investimento caindo 5% não está no mesmo ponto do ciclo que outra com PIB caindo e desemprego subindo — mas uma nota única de 0 a 100 pode dar o mesmo número às duas. É por isso que o termômetro separa estado atual (os coincidentes, que dizem se a recessão já chegou), momentum (o que está piorando agora) e pressão antecedente (as condições que podem derrubar a atividade adiante). A divergência entre as três é justamente a informação mais útil.

O medidor no topo é qualitativo: três zonas, sem escala numérica. O ponteiro fica na média das três leituras (favorável = 0, atenção = 1, adverso = 2) — é uma difusão entre dimensões, refazível de cabeça, e não um índice. A zona acesa e o selo seguem a pior das três, porque basta uma leitura adversa para o quadro merecer cautela.

Por que blocos, e não indicadores soltos

Os indicadores não são independentes. Quando o Banco Central aperta, o mesmo choque reaparece na inadimplência, no comprometimento de renda das famílias e na produção de bens de capital. Contar cada um como um sinal separado transformaria uma causa em três, e qualquer contagem de "quantos indicadores pioraram" ficaria inflada. Por isso os canais de transmissão do aperto formam um bloco só, agregado pela mediana: o bloco vira negativo quando a maioria dos canais vira, não quando um deles se mexe.

Cada indicador recebe −1 (em deterioração), 0 (neutro) ou +1 (favorável) pela regra da sua linha. O bloco fica com a mediana dos seus indicadores; a dimensão fica adversa quando metade ou mais dos seus blocos está negativa, em atenção quando algum bloco não está favorável, e favorável no resto. Bloco sem dado sai do cálculo em vez de entrar como neutro — entrar como neutro seria afirmar que medimos e nada estava acontecendo.