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Modelos de Inflação

Curva de Phillips: dos núcleos ao modelo novo-keynesiano

A relação entre atividade e inflação e as oito variantes que estimamos — de núcleos e defasagens a expectativas do Focus e repasse cambial.

A curva de Phillips é uma das relações mais antigas e debatidas da macroeconomia: a ideia de que atividade e inflação andam juntas. Quando a economia aquece e o hiato do produto se fecha, a inflação tende a subir; quando esfria, tende a ceder. O Observatório estima oito variantes dessa relação, porque não existe uma única forma correta — cada especificação testa uma hipótese diferente sobre o que move os preços.

Do formato clássico ao novo-keynesiano

A versão moderna, chamada curva de Phillips novo-keynesiana (NKPC), acrescenta um ingrediente central ao formato clássico: as expectativas. A inflação de hoje depende não só da atividade, mas do que os agentes esperam da inflação futura, porque preços e salários são definidos olhando para a frente. É essa a base das variantes que estimamos.

As oito variantes

Cada módulo aplica a mesma disciplina — regressão por mínimos quadrados sobre séries de inflação e hiato — mas muda os regressores:

  • NKPC padrão: a versão de referência, relacionando inflação e hiato do produto no formato novo-keynesiano.
  • Defasada: usa o hiato dos meses anteriores, reconhecendo que a atividade leva tempo para se transmitir aos preços.
  • Híbrida: combina inflação passada (inércia) e expectativa de inflação futura, capturando os dois lados da formação de preços.
  • NK + Câmbio: adiciona o repasse cambial, o efeito da variação do dólar sobre importados e insumos.
  • Núcleos: troca o IPCA cheio pelos núcleos de inflação, que filtram os itens mais voláteis e revelam a tendência subjacente.
  • Completa: junta inércia, expectativas, hiato e câmbio numa única especificação abrangente.
  • Expectativas Focus: usa diretamente a expectativa de inflação da pesquisa Focus do Banco Central como regressor.
  • Diagnóstico: não é uma nova curva, e sim uma comparação — confronta o poder explicativo (R² ajustado) das variantes para indicar qual descreve melhor os dados do período.

Como ler os resultados

Cada variante reporta o ajuste aos dados e o sinal dos coeficientes. Um coeficiente positivo e significativo sobre o hiato confirma a intuição básica da curva; a força das expectativas indica quão ancorada está a inflação; o termo cambial mede o repasse. A variante de diagnóstico existe justamente porque nenhuma domina em todos os períodos: a curva de Phillips é instável no tempo.

Limitações

A relação de Phillips é notoriamente frágil. O hiato do produto é estimado (com o viés de fim de amostra que isso carrega), os coeficientes mudam com o regime de política monetária e choques de oferta podem romper temporariamente a relação. Por isso apresentamos várias especificações lado a lado, em vez de eleger uma "curva verdadeira".