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Curva de Phillips com Expectativas Focus

Phillips estimava 6,1% em junho; inflação veio a 4,6%

📊 Observatório BR22 de agosto de 2026

Phillips estimava 6,1% em junho; inflação veio a 4,6%

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A Curva de Phillips Novo-Keynesiana (NKPC), modelo que liga a inflação ao hiato do produto e às expectativas de mercado, estimava 6,14% para junho de 2026. O IPCA acumulado em 12 meses fechou o mês em 4,64%: o modelo superestimou a inflação em 1,50 ponto percentual.

Como ler: NKPC com expectativas: π = α + β₁·hiato do produto + β₂·expectativa Focus; estimativa ex-ante: para cada mês, o modelo é reestimado por OLS apenas com dados anteriores a ele (treino mínimo de 36 meses); o hiato do produto vem do filtro HP calculado sobre toda a amostra, portanto apenas os coeficientes são estritamente ex-ante. O mês mais recente com inflação observada é julho de 2026, já encerrado em agosto de 2026: a estimativa do modelo para ele é uma previsão ex-ante já verificável, não uma previsão para o futuro. Sem estimativa do modelo para jul/26: o dado ainda não está disponível.

A Curva de Phillips Novo-Keynesiana (NKPC), modelo que liga a inflação ao hiato do produto e às expectativas de mercado, estimava 6,14% para junho de 2026. O IPCA acumulado em 12 meses fechou o mês em 4,64%: o modelo superestimou a inflação em 1,50 ponto percentual. Para julho, cuja inflação observada foi de 4,44%, o modelo ainda não tem estimativa, porque o hiato do produto depende do IBC-Br, divulgado depois do IPCA.

O erro não é acidental. Nos 11 meses da janela em que dá para comparar as duas séries, o modelo projetou inflação acima da observada em todos, com erro médio de 1,02 p.p. É um viés sistemático de superestimação: a relação estimada entre atividade e preços não acompanhou a desaceleração. A expectativa de mercado foi mais precisa, e é outra coisa: a mediana Focus registrada 12 meses antes apontava 4,67% para julho, e a inflação veio 0,23 p.p. abaixo disso.

Ajuda a ler o descompasso o conceito de inércia inflacionária, a tendência de a inflação carregar o próprio passado por contratos e reajustes indexados. Um modelo estimado sobre anos de inflação alta herda essa memória e demora a reconhecer a virada. Para o Copom o quadro é ambíguo: a inflação de julho está 1,44 p.p. acima da meta de 3%, ainda abaixo do teto de 4,5%, e vir sistematicamente abaixo do previsto pelo modelo abre espaço para corte de juros; por outro lado, a distância média até a meta nos últimos três meses é maior que nos três anteriores, o que pede cautela.