Crescimento de Longo Prazo
Índice Global de Inovação: de onde vêm os números e como ler a posição
O que o índice da WIPO mede, como os sete pilares são montados, por que a posição tem intervalo de confiança, o que é o score esperado para a renda e o que o painel não reproduz.
O painel de inovação mostra a posição do Brasil no Índice Global de Inovação (Global Innovation Index, GII), publicado todo ano pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), agência da ONU. Este artigo descreve de onde vêm os números, como o índice é montado e os cuidados para lê-lo.
A fonte
Os dados são os arquivos que o explorador oficial do índice carrega, publicados pela WIPO sob a licença Creative Commons CC BY 4.0. O painel não reconstrói o índice nem recalcula pesos: usa o score, a posição, o intervalo de confiança e a classificação relativa à renda exatamente como a WIPO os publica. A coleta é automática e confere a edição mais recente uma vez por dia.
Cada indicador do índice vem de um provedor original — o Instituto de Estatística da UNESCO para gasto em P&D e matrículas, as estatísticas de propriedade intelectual da própria WIPO para patentes e marcas, bases bibliométricas para artigos científicos, pesquisas de opinião com executivos para alguns itens de ambiente de negócios. A tabela de forças e fraquezas do painel mostra o provedor de cada linha, como a WIPO o credita.
Como o índice é montado
São dois sub-índices. O de insumos reúne cinco pilares que descrevem as condições para inovar: instituições, capital humano e pesquisa, infraestrutura, sofisticação de mercado e sofisticação empresarial. O de produtos reúne dois pilares que descrevem o resultado: produtos de conhecimento e tecnologia e produtos criativos. Cada pilar se divide em três sub-pilares, e cada sub-pilar agrega de dois a seis indicadores.
Os indicadores são normalizados numa escala de 0 a 100 e agregados por médias ponderadas até o pilar. O score final é a média simples dos dois sub-índices. Por isso uma posição ruim num indicador isolado pesa pouco: nenhuma métrica decide o resultado sozinha, e é essa amplitude que torna o topo da tabela tão estável de um ano para o outro.
O pilar de instituições inclui indicadores de ambiente institucional, regulatório e de negócios, como eficácia governamental e estabilidade de políticas. O painel mostra esses indicadores como a WIPO os publica e descreve o que medem, sem atribuir o resultado a governos ou a decisões específicas: o índice não identifica causas.
A posição tem intervalo de confiança
A WIPO publica, ao lado de cada posição, um intervalo: a faixa de posições que a economia ocuparia sob escolhas metodológicas alternativas e plausíveis (pesos, imputação de dados ausentes, normalização). Duas economias com intervalos sobrepostos não estão, a rigor, em posições diferentes. O gráfico de histórico desenha essa faixa; subir ou cair uma ou duas posições dentro dela não é sinal de mudança.
Score esperado para a renda
Economias mais ricas tendem a ter score maior. A WIPO ajusta uma curva do score contra o logaritmo do PIB per capita em paridade de poder de compra e classifica cada economia como acima, no ou abaixo do esperado para o seu nível de renda; as do topo são chamadas de líderes. O painel reproduz essa curva a partir do score esperado que a WIPO calcula para cada economia — não a reestima.
Comparar edições
A cada edição a WIPO revisa indicadores, fontes e às vezes a estrutura, e recalcula a edição corrente com dados que podem ter anos diferentes de referência. A própria WIPO avisa que a disponibilidade de dados e as mudanças de modelo afetam a comparação ano a ano. O histórico de posição do painel cobre as edições que a WIPO republica no explorador; a abertura por pilar existe só a partir da primeira edição coletada pelo Observatório, porque o modelo completo das edições anteriores não fica publicado no mesmo formato.
Cada indicador traz o ano do dado usado. Um indicador marcado como desatualizado usa um ano mais antigo que o mais comum entre as economias.
Clusters de ciência e tecnologia
A WIPO também lista os cem maiores clusters do mundo: regiões com a maior concentração de inventores em pedidos internacionais de patente (PCT) e de autores de artigos científicos. A posição por intensidade divide essa atividade pela população da região. O painel lista os clusters com o campo de patente e a área acadêmica dominantes, como publicados.
O que o painel não reproduz
- O rastreador de startups de ciência profunda, feito em parceria com a Dealroom, usa base proprietária.
- O Global Innovation Tracker por país é publicado só em PDF.
- As estatísticas detalhadas de propriedade intelectual do Data Center da WIPO têm termos de uso que vedam a republicação dos conjuntos de dados.
Por fim, um índice composto resume muitas dimensões num número só, e o resumo tem custo: a posição diz onde a economia está em relação às outras, não por quê. Para os componentes, o próprio painel abre pilares, sub-pilares e indicadores; para produtividade e investimento, os painéis de produtividade e de crescimento comparado.